quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A nuvem da insatisfação.
Não dá pra negar que insatisfação faz parte da nossa existência. Por causa dela a humanidade fez tanta coisa que não caberia aqui , seu eu catalogasse.
Ela cabe em muitos contextos, mas me atenho aos que me chamam a atenção neste momento da vida. Casados reclamam do peso da aliança; namorados, porque não tem mais tempo com os amigos; solteiros porque não tem pra quem ligar; jovens se revoltam por não poderem fazer o que querem; os velhos por não conseguirem. Chefes por causa da pressão, empregados por causa dos chefes. A moda com as vendas; as mulheres com os seios. Os homens com a quantidade; as mulheres com a qualidade.
Mas onde mesmo nos leva nossa insatisfação?
Raramente ou quase nunca estamos satisfeitos. Por mais que o céu esteja azul, sempre achamos que a nuvem virá pra cobrir nosso sol. E mesmo no calor, sentimos frio.
Uma vez Oscar Wild disse “ Nada mais insuportável do que muitos dias de felicidade contínua”. Achei bizarro na hora em que li, mas depois entendi o realismo da sua afirmação. Não suportamos a felicidade por muito tempo; tudo fica óbvio demais, tranqüilo, calmo e desde crianças aprendemos que se algo vale a pena, precisa ser árduo, trabalhoso, hercúleo.
Não sabemos lidar muito bem com a alegria dos dias ensolarados e criamos ou avistamos a nuvem lá adiante.
Li , não me lembro onde que “a vida nos pareceria subitamente maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morrer - então declararíamos nosso amor, viajaríamos à Índia, realizaríamos nossos sonhos. E caso o cataclismo não acontecesse, voltaríamos ao cotidiano, no qual a negligência supera o desejo". Eu sempre digo que a negligência supera o desejo - preste atenção nisso, sempre.
Falo isso , porque alguns sucumbem à insatisfação, ao invés de usá-la como trampolim pra levá-los a algum lugar melhor, agravando assim a sensação de impotência, entregando-se a inércia.
Não vejo nada errado em nunca estarmos satisfeitos, em desejarmos. Desejos são como cavalos: não são eles que decidem para onde vamos, mas com eles vamos mais rápido. O problema reside em ficarmos nos culpando por nunca estarmos completamente felizes ou acharmos poético arrastar as meias pela casa. O fato é que "algo sempre nos falta - o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Para seu próprio bem, guarde esse recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo" (Caio Fernando Abreu). Daí, sim, poderemos ser felizes. No início, quando der. E um dia, quem sabe, a maior parte do tempo.
sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
E na Fronteira...
O fazedor de velhos e tudo o que nos emociona.

“Vocês vão se perder de vista, sim. E o tempo para ver os ex-colegas de colégio não vai existir. Os papéis com os telefones que vocês acabam de anotar vão sumir como que por encanto. Crescer é, de certa forma, se separar das pessoas amadas”. E depois: “Vocês vão descobrir, na carne, que sentir, nessa vida, é sentir o tempo indo embora. (...) Tudo que nos emociona, tudo que nos toca no fundo, é o tempo chegando e indo embora”.
Não, ele não está a fim de você.

- “ Você é linda e sensacional! E ele não dá conta disso!”
- “ Está na cara que aquele bonitão gostou de você. Ele deve ter perdido o número de telefone.Sério !”
- Não ligou mais porque se sente intimidado por seu potencial profissional e sua independência.
- “Confie em mim amiga. Ele acabou de sair de um relacionamento sério.” Ou melhor, “ ele nunca teve um relacionamento sério”.
Na África poderia ser “ Ele esqueceu o número da sua cabana ou foi comido por um leão”.
Será que é tão difícil acreditar no que está diante dos nossos olhos e nos de todo mundo, bem à nossa frente e a gente insiste em não ver? Ele não está a fim de você.
Já passou mais de uma semana e ele não te ligou? Ele não está a fim de você. A menos que tenha ido pro Nepal, isso seria um bom motivo. Remoto, mas seria.
As amigas são as melhores em tentar ajudar a não perder as esperanças com suas probabilidades e teses ilusionistas do porquê o cara não te liga.
Ok, agora você vai dizer que uma amiga da vizinha, ou talvez até a sua, conheceu um cara uma vez, ele passou um ano sem ligar e num supermercado, por acaso, se encontraram novamente e acabaram se casando em 6 meses. A exceção. A rara exceção.
Mas estou aqui pra falar da regra. E a regra é essa: se o cara não ligou é porque ele não quis.
Eu já levei tanto fora, muitos mesmo. Mas eu jurava, até um tempo atrás, um bom tempo atrás que nunca havia levado um. Até começar a comparar histórias e descobrir a habilidade masculina em fazer isso. Tão sorrateiros que eu achava que a idéia ( e culpa ) era minha.
“ Eu não quero ficar no seu caminho”, “ você é perfeita, eu é que tenho que melhorar”, “ eu estou apenas pensando na sua felicidade”, “ eu não te mereço”, e a melhor de todas , “ eu tenho tanta inveja do cara que se casar com você” . E logo depois de ouvir isso , eu corria comprar coca-cola e sorvete pra ajudar a digerir o prato principal.
Um dia depois de um encontro tentei ser mais objetiva e perguntei “ você me liga ou eu te ligo” , ele me olhou e disse “ o que?” , um minuto de silêncio e depois a habilidade sorrateira novamente “ entraremos em contato, querida”.
Descobri que adoramos o drama de esperar por um telefonema até o último instante, acreditando que qualquer coisa pode ter acontecido, menos que ele não quer falar com você. Mas sinceramente, em meio a tantas mídias sociais, MSN, Twitter, My Space, Orkut, é impossível manter o sonho de Cinderela, dá pra notar os sinais de que você não é a única, não é a exceção e a avó dele não morreu. Me refiro às mídias sociais, porque antes poderia mesmo ser problema com o telefone, mas hoje temos diversas formas de comunicação e sim, se o cara quer mesmo falar com você ele vai dar um jeito. Qualquer jeito. Até descobrir o seu endereço , sem você dar nenhuma pista. É capaz de inventar uma desculpa esfarrapada pra bater na sua porta, do nada.
Muitos homens acostumaram-se a criar barreiras para manterem-se seguros longe das mulheres que possam lhes trazer a sensação de perda de controle, e conseqüentemente de liberdade. Acabam por desconhecer a sensação de estarem apaixonados e entregues a um sentimento , que necessariamente não nos tira a liberdade, mas pode nos ajudar a ir mais longe.
Mas isso não é regra. Pode haver a exceção.
Ensinam muitas coisas pra gente. Principalmente a que se o cara faz coisas idiotas , é porque gosta de você, só não sabe lidar com isso, e que um dia, sim um dia, você vai encontrar um príncipe encantado e ser feliz pra sempre.
Todo filme, toda história, implora pra que esperemos por isso. A inversão no terceiro ato, a declaração de amor inesperada, a reconciliação. Ás vezes estamos tão focadas na busca pelo final feliz que esquecemos de ler os sinais, a diferenciar quem nos quer de verdade e quem não nos quer.
E acredite, talvez este final feliz, nem inclua um cara maravilhoso, mas tenha você sozinha, recolhendo os cacos e recomeçando, ficando livre para algo melhor no futuro ou talvez o final feliz seja continuar seguindo em frente, ou ainda, o final feliz seja apenas isso, saber que mesmo com ligações sem retorno e corações partidos, com todos os erros estúpidos e sinais mal interpretados , com todo o constrangimento você nunca perdeu a esperança e pode ser a exceção, a rara exceção.
Gate Control

Quantas vezes você foi seduzido por aquilo que queria ver, e não pelo que realmente estava à sua frente?
Quantas vezes você acreditou que o que era ruim até um minuto atrás, poderia ter se tornado perfeito e reluzente?
Quantas vezes você esperou pela presença curadora de alguém em que você projetou a solução das suas agonias?
Por comodismo ou medo do novo, nos acostumamos com a neblina de um relacionamento capenga, um trabalho não-compensador, uma vida emocional mal resolvida.
O momento em que estes dois elementos, juntos ou não,superam a vontade de sair da fossa, é a hora certa pra fazermos grandes bobagens na vida.
Acreditar na retomada com o ex-namorado por exemplo.
Ao invés da doce ilusão de todo início de relacionamento, o que volta é a mágoa, dobrada, que nos deixa chorosos, raivosos e pedindo explicação aos céus por aquilo.
Sexo fácil, livros de auto-ajuda, ombro de amigos, dezenas de filmes no final de semana, auto-piedade e nada da explicação chegar. E não adianta encher os “ouvidos do mundo” com perguntas, por que a resposta está na sua testa ( ou em qualquer lugar que você possa enxergar) : você sofre por que é besta.
Dias, meses de brigas e sofrimento e mesmo assim continuamos lá, dando murro em ponta de faca,tentando desesperadamente transformar dois monólogos em um diálogo, feliz e agradável, além de tudo.
O receio do novo, desconhecido, nos impede de sentir a alegria que é saber que existe vida além da dor de cotovelo e do cheiro do outro. Esqueça! Aqueles sapatos faziam calos!
O tom – seu e dele, inclusive dos que estão à tua volta – nunca será o mesmo. O passado só é bonito porque já foi.
Vai acabar tudo em decepção se tentar igualar o presente às doces lembranças gravadas na sua mente.
Nada nem ninguém é tão imprescindível que não pode ser esquecido.
Ele te ensinou coisas bacanas? Te mostrou um mundo diferente do seu? Ótimo. Guarde isso, mas está na hora de criar um gate control pras tuas emoções.
Pra que calçar aqueles sapatos de novo? Aprenda: se não é o número certo, ou cai no meio da rua ou faz calo. Mesmo!
Levante a âncora, crie uma comporta que estanque a retomada insana ao passado, porque quem anda olhando pra trás, tropeça, e o pior, perde toda a paisagem.