sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dez lições que aprendi com meu pai - John Piper

1. Quando as coisas não acontecem do modo desejado, Deus sempre as faz concorrer para o bem.

Em nosso lar, Romanos 8.28 era tão proeminente como João 3.16. Eu o aprendi dos lábios de meu pai: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Isso se tornou o alicerce de minha vida. É assim que Deus é. A vida é árdua. Deus é soberano. Deus é bom.

2. Podemos confiar em Deus.

Meu pai nunca murmurou ante as providências de Deus, nem mesmo quando Ele levou mamãe aos cinqüenta e cinco anos de idade. Foi uma perda imensa. A tristeza foi demorada. Mas nunca duvidamos de Deus. “Neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?” (Salmos 56.11).

3. As pessoas estão perdidas e precisam ser salvas por meio da fé em Jesus.

Meu pai era um evangelista. A sua ausência de casa, em viagens evangelísticas, durante quase um terço de minha vida, incutiu-me uma mensagem primordial: o inferno é real e terrível, e Jesus é um grande Salvador. Mamãe sempre sugeriu que a ausência de papai era um privilégio glorioso que tínhamos de apoiar. Naquela época, nunca pensei em ressentir-me de sua necessidade de ausentar-se, como não o penso até hoje.

4. A vida é precária e preciosa. Não presuma que certamente amanhã você estará vivo. Não desperdice a sua vida hoje.

“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9.27). Ouvi meu pai dizer estas palavras muitas vezes, enquanto pregava. Eram palavras ameaçadoras e, ao mesmo tempo, boas para mim. “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz” (Provérbios 27.1). Papai sabia — por isso, eu também sabia — muitas histórias de jovens que haviam sido mortos antes de estarem prontos para se encontrarem com Deus. O mundo era um lugar muito sério onde cresceríamos.

5. Um coração feliz é como um remédio excelente, e Cristo é Aquele que satisfaz o coração.

Meu pai era e continua sendo o homem mais feliz que já conheci. Em um sermão intitulado “Salvo, Seguro e Satisfeito”, ele disse: “Ele é Deus. Quando confiamos nEle, temos o próprio Deus e tudo o que Ele possui. Não podemos ser nada além de pessoas satisfeitas com a perfeita plenitude de Cristo”. No que diz respeito ao amor pelas coisas espirituais, nosso lar foi o mais feliz que já conheci

6. Um crente é um grande realizador, e não um grande proibidor.

Éramos fundamentalistas — procurando viver sem arrogância. E tínhamos nossa lista de coisas proibidas. Mas isso não era o mais importante. Deus era o mais importante. E Deus era digno de tudo.

7. A vida cristã é sobrenatural.

O viver cristão não é possível sem o Espírito Santo, que age em resposta à oração. Em minha memória não há uma noite em que minha família não orou reunida, à medida que crescíamos.

8. A doutrina bíblica é importante, mas não surre as pessoas com essa doutrina.

Papai lamentava pelas escolas e pessoas da família que dividiam aquilo que a Bíblia mantém junto: Falar “a verdade em amor” (Efésios 4.15). Verdade e amor. Esta é uma ótima união. Mantenha-os juntos, filho.

9. Respeite sua mãe.

Se quiséssemos ver papai irado, era só falarmos insolentemente com mamãe. “Honre a sua mãe” é o que Deus ordena. E papai sabia o preço que ela pagava por concordar que ele viajasse. Ai do filho que falasse uma palavra depreciadora desta grande mulher!

10. Seja aquilo para o que Deus o criou, não seja outra pessoa.

Se você é baixo, forme um time chamado “Batatinhas Difíceis de Descascar”. Ele nunca me pressionou a ser um pastor. Filho, busque a vontade de Deus acima de todas as coisas. E seja aquilo para o que Deus o criou.

Escrevo com profunda afeição. Muito obrigado, papai!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Resistência de Jesus.

Ontem , no meu momento de oração, me veio a mente o quanto Jesus Cristo resistiu às tentações, não só aquelas de Mateus 3, 3-10. Mas todas elas ao longo de seu ministério.

Jesus não foi tentado apenas diretamente pelo Diabo. Mas também pelo povo, quando o queriam coroar rei ( antes da hora), pelos príncipes dos sacerdotes, quando tentavam forçá-lo a provar de onde ele vinha, quando ele sozinho, no Monte das Oliveiras, orou pedindo ao Pai que se fosse possível passasse dele o sacrifício da Cruz – ele foi tentado pelo medo, pelo pavor, pela dor física que se aproximava. Ele foi tentado pelo ladrão na cruz, dizendo a ele que salvasse a si mesmo, já que era o Cristo.

Mas ele resistiu.

Não quero comparar o meu sofrimento ao dele, mas no ato da minha oração ontem a noite, eu pedi resistência a Deus e no mesmo instante, em que a palavra saiu de meus lábios, o Espirito Santo me revelou de súbito, todos estes exemplos de Jesus ( e mais ). Eu me lembrei da trajetória de Jesus na Terra, como homem, como filho obediente e servo. Ele sabia qual era o propósito da sua descida até aqui, ele não se distraía ao longo do caminho até a conclusão do seu objetivo. Por isso teve sucesso.

A resistência de Jesus foi forjada durante a sua trajetória. Nos evangelhos vemos o tempo todo o quanto ele era servo. Ele servia aos desejos de seu Pai que estava no céu. Ele se alegrava porque fazia a vontade de Deus, mesmo sabendo que uma dor nunca experimentada por outro homem o aguardava.

A resistência de Jesus à abandonar o objetivo de seu Pai, foi firmada numa relação íntima com Ele. Jesus ficava a sós com Deus. Tirava vários períodos de oração longe de outras pessoas porque sabia que isto garantia a força necessária para seguir em frente. Isso também garantia que ele não perdesse o foco, nem se desviasse da vontade do Pai.

Claro que é inconsebível ( ao meu ver ) imaginar Jesus se rebelando contra a vontade de Deus e aceitando ser corado Rei dos Judeus pelas suas próprias forças. Mas Jesus, sabia tanto qual era o seu papel, de onde ele havia vindo, e quem era por ele, que não titubeava nem para direita , nem para a esquerda. Seguia no centro da vontade de seu Pai.

Jesus conhecia as Escrituras Sagradas. Jesus havia sido batizado nas Águas. Jesus orava. Jesus jejuava. Jesus servia. Jesus amava. Jesus perdoava. Jesus acima de tudo , sabia onde deveria chegar. E todas estas ações, desde a submissão incondicional a Deus, até ele ser rejeitado pelos próprios irmãos em função de seu ministério (ninguém O entendia) ou afirmar que a sua familia eram os que ouviam a sua Palavra e faziam a vontade de seu Pai, eram características de quem sabia o que deveria fazer. Sabia qual era o seu papel.

Para que eu chegue ao meu objetivo final, como qualquer outro cristão que deseja a salvação, eu preciso resistir ao longo do caminho. Antes, até, eu preciso “ perceber o caminho”, afinal de contas, eu me distraindo nele com as coisas desse mundo, vão me fazer no mínimo chegar atrasada, ou nem chegar onde devo.

O amor de Deus , de forma geral, é incondicional. Ele deu seu primogênito como sacrifício pelos nossos pecados para que pudessemos reatar nossa relação consigo. Mas a salvação de minha alma e o cumprimento dos planos dEle na minha vida, vão depender da minha resistência.

Uma resistÊncia que só é possível se houver plena comunhão com Ele, seguindo o exemplo de Jesus: obedecendo, orando, jejuando, dobrando os joelhos diante dEle não apenas quando estou ferida, mas por compreender que isso é básico, essencial, uma questão de sobrevivência.

Para que eu resista às tentações, eu preciso reconhecer que qualquer coisa que não venha direto do meu Pai – como quando os judeus tentaram coroar a Jesus – é mais um plano de obstrução do meu inimigo que vai contra os desejos de Deus.

Os meus mais comuns desejos podem ser minhas maiores pedras de tropeço. O que é comum para a humanidade desejar, investir, planejar, não é compatível com o Reino de Deus. Jesus e seus discipulos não tinham nada de comum. Eles precisaram de muita resistência pra mudar a história da humanidade. Resistiram à si próprios e aos outros. Resistiram ao desejo de enriquecer e dominar ( Jesus no Pináculo do Templo ), resistiram ao desejo de serem reconhecidos e glorificados ( Paulo sendo apontado como servo de Deus na rua por uma mulher dominada por um espirito imundo ), resistiram a tentativa de serem comparados ao seu Senhor ( Pedro quando crucificado de cabeça pra baixo porque não era digno de ser morto igual ao Mestre).

As minhas tentações são menores. Sou sincera em dizer que se restringem à vida afetiva, aos desejos de progresso financeiro, às carências emocionais e um pouco de alter-ego que ás vezes deseja imitar o que a maioria das pessoas fazem. Sem esquecer de que sou tentada em duvidar da minha chamada também. Sou tentada á olhar para as circunstâncias. E é óbvio que elas me dizem que sou uma louca desbaratinada. Mas se olharmos para as circustâncias de Paulo , por exemplo, ele deveria ter largado aquela história de pregar o evangelho. Ele apanhava, literalmente, mais do que mendigo nas ruas da época. Mas o seu testemunho já dura mais de 2 mil anos.

Assim eu aprendo 3 coisas muito importantes com Jesus e seu admirável poder de resistência:

1. Os atos de Satanás traem suas táticas. Os métodos que usou (em vão) com Jesus, ele usará conosco. Um Uma vez precavidos, ficamos prevenidos.

2. Devemos confiar plenamente em Deus. Conforme a análise de Tiago acerca do processo da tentação (Tiago 1:13-15), Satanás aproveitou os desejos de Jesus na tentativa de abalar a confiança dele em Deus. E assim por diante. Poderia ser aquele casamento que tanto queremos. O Diabo apresenta qualquer coisa e corremos o risco de aceitar. Na tentação devemos nos segurar firmemente à nossa fé e confiar em Deus, pois “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4).

3. Devemos ser guiados pela pelavra de Deus. Jesus não resistiu ao diabo utilizando o seu poder miraculoso ou invocando alguma revelação especial dada a ele e a nenhum outro. Antes, ele se manteve firme, abraçando a palavra de Deus: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Salmos 119:11).

Ele ressuscitou ao terceiro dia e disfruta da presença do Pai agora. Mas precisou resistir e foi Mestre nisso também.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre Fé e Mais um Pouco: Reino = Monarquia... democracia espíritual não exi...

Sobre Fé e Mais um Pouco: Reino = Monarquia... democracia espíritual não exi...: "Queridos, como temos nos enganado ao tratar tudo no reino espiritual com o tal 'jeitinho', primeiro que esse jeitinho já virou uma maldiç..."

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Força da Fantasia!


A Renascença colocou o homem no centro do universo. Você lembra disso? O Iluminismo tornou o homem independente, “iluminado” , e também o desorientou.

No que resultou isso, foram as novas e inspiradoras ofertas de orientação para a vida, as quais, dizem o que devemos fazer para evitar medos (seguro de vida, cercas elétricas), incertezas e insuficiência ( cirurgias plásticas e aquisições inúteis), além de outras coisas, elas oferecem a receita da felicidade plena, “ aqui e agora”, na “ terra”.

Quando o Iluminismo tornou o homem auto-suficiente, acabamos por criar deuses dentro de nós, consequentemente, um mundo terreno onde a harmonia, a ordem, a paz e a felicidade podem ser alcançadas , entretanto ficamos desprotegidos, pois, este mundo que criamos se transformou, e sempre continuará o processo de mudanças.

Aí entra a força da fantasia dos pregadores da auto-ajuda, com a insolência inabalável de seus posicionamentos e pelo seu discurso atrativo, que acabam por sugestionar as pessoas na direção de um ideal soberbo pelo ânimo provocado. A imaginação fica ativa, o estado de espírito é outro, raciocínio excitado, criativo e então as dúvidas desaparecem, o sentimento que surge é de prazer e determinação, sem dúvidas as pessoas ficam cheias de avidez , procuram alcançar suas metas – que um dia antes escreveram num caderninho qualquer – e esquecem que vivem num coletivo, que não é só , e que sim, existem percalços no caminho e centenas de outras pessoas ao seu redor que de alguma forma, irão influenciar na conquista de seus objetivos.

Isto é o Discurso da Auto-Ajuda, com milhares de livros vendidos, gurus e imagens com pessoas sorridentes exibindo suas conquistas como se enfim, tivessem saído da crise de identidade em que se encontra a humanidade. Se estou sendo negativista? Não, meu intuito com este texto é despertar as mentes para um discurso mentiroso – a Ilusão no discurso da auto-ajuda – de grandes habilidades persuasivas e sedutoras.

Os autores destes livros afirmam, sem hesitar, que através da leitura, “ aprenderá a usar os meios infalíveis e fáceis para chegar lá. Você vai aprender [diz o autor] a usar o poder infinito de sua mente, poder este que lhe alcançará tudo aquilo que você deseja”.

Lembra de O Segredo? Ele até sugeria colar um cheque preenchido com a quantia desejada atrás da porta, e sim, prometia que o valor viria até você. Apenas com a força do pensamento! Do teu pensamento! Perdoem-me os adoradores de O Segredo, mas vocês conseguiram enriquecer só os editores e a escritora dele.

A auto-ajuda vende ilusões, não esclarece nada, porque não se aprofunda, seduz, te empurra para um jogo de aparências, usa palavras bem escolhidas, fórmulas chocantes, frases bem equilibradas, sorrisos aliciadores, banalizam os problemas – daí minha maior indignação – sem provocar descontentamento em nenhum leitor. Afinal de contas, quem quer ler sobre dúvidas, dificuldades neste mundo tão desprovido de segurança e certezas de “ quem sou eu “.

Estes autores são especialistas em escrever frases maravilhosas, fascinantes e repetitivas, dizendo somente aquilo que os homens precisam e desejam ouvir.

De alguma forma a auto-ajuda ligou a felicidade ao consumo. Ou seja, você será feliz quando tiver em tuas mãos o objeto do teu desejo.

Sobre tudo o que escrevi neste texto está ligado á um mundo terreno , onde tudo acaba, morre, se desintegra. Mas e se não for assim, e se houver um depois, um “post mortem”, e se felicidade plena, não é só “ aqui e agora”, na “ terra” ?

Você já pensou nisso?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A ilusão da igualdade

Todos que já passaram pelo ensino médio estudaram os ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade.

A liberdade existe conscientemente ou não; fomos criados com livre arbitrio sobre todas as coisas. Temos até a liberdade de se rebelar contra um regime, uma cultura, uma política, sem esquecer do custo que ela tem, obviamente.

A fraternidade chega a ser uma lei moral, não do próprio ser humano, porque ao contrário dos antiteistas, acredito que apenas um legislador supremo poderia ser o causador dessa moral, portanto lutar por ela, para que ela subsista é quase um paradoxo. Fraternidade deve existir mesmo que não sejamos iguais. A Fraternidade pode e deve existir na desigualdade.

Então temos a liberdade, independente do regime político e podemos ser fraternos mesmo na desigualdade. E é aí que chegamos na ilusão da igualdade. Originalmente, durante os anos da Revolução Francesa, não se contemplava a idéia de que todos somos iguais, mas a de que nascemos com direitos iguais. No século XIX, essa idéia mudou, começou-se a crer na idéia de que todos somos iguais e, por causa disso em certa medida, todos merecemos materialmente as mesmas coisas.

Entretanto, contra esse raciocínio há um fato muito claro: as pessoas são diferentes. Existem homens e mulheres, pessoas com cabelo liso e ondulado, pessoas com talentos artísticos, esportivos e intelectuais. E isso é dado, tendo cada indivíduo de conviver e aproveitar suas características. Logo, é totalmente irracional qualquer indignação a afirmações do tipo “ ele pode, eu também posso “.

Além disso, tratar diferenças como aspectos negativos e esforçar-se para dirimi-las é falacioso. Sob o ponto de vista da eficiência econômica, por exemplo, a igualdade é péssima. Em um mundo onde todos têm a mesma produtividade, não existem incentivos a trocar ou a dividir trabalho, atos que historicamente permitiram um aumento brutal na produção agregada da humanidade.

Por fim, é importante mostrar como a igualdade de direitos e a igualdade material são objetivos contraditórios. Meus direitos são os mesmos do meu vizinho, mas meu salário é diferente do dele! Suponhamos que o Estado se incumba de igualar materialmente todos seus cidadãos. Para tanto, ele deverá tomar de alguns e repassar a outros. Percebe-se que nesse caso o “grande irmão” deixa de tratar todos seus cidadãos imparcial e igualitariamente.

As promessas políticas , grandes campanhas de marketing, visando um final feliz para a humanidade, onde haverá paz e total ordem monetária, é ilusão.

Inúmeros livros de auto-ajuda vendem milhões de exemplares sugerindo respostas : “ você tem o poder “ , “ como influenciar pessoas e conseguir delas o que você quiser” , e tantas outras promessas. Tudo em nome da igualdade; em nome de você ser igual àquela pessoa de sucesso que aparece na TV.

Só existe uma esfera em que todos somos iguais e nela, de acordo com nossas ações iremos receber o prêmio. A Terra não é o fim em si mesma. Existe um lugar onde não seremos medidos pelos bens que possuímos ou da família que descendemos. E isso é onde podemos chegar mais próximo do significado de igualdade.

Casamentos arranjados !

O romance foi capitalizado. Grande parte do nosso PIB depende dele. Nas artes, ele domina: tente encontrar uma canção que não trate do amor. Na área editorial, os romances góticos vendem mais que qualquer outra obra. Sem esquecer das novelas ou comédias ; existe algum sem um romance ardente no enredo? A moda, as jóias e cosméticos nos tentam aperfeiçoar as técnicas de atração entre homens e mulheres. Tudo para que encontremos, persigamos e conquistemos o amor ideal; aquele com final feliz.

Por mais comum e notório que isso seja, ainda existem casamentos feitos entre homens e mulheres que jamais sentiram qualquer pontada de amor romântico, como os adolescente em grande parte da África e Ásia que tem como certa, a noção de casamentos arranjados pelos pais e não todo esse enredo de conquista e paixão como nós.

Nas culturas ocidentais as pessoas se casam porque sentem atração pelas qualidades agradáveis do outro: sorriso aberto, espirituosidade, aparência bonita, habilidade atlética, bom humor, charme. Com o passar do tempo, estas qualidades se alteram. Especialmente os atributos físicos irão deteriorar–se com a idade. Enquanto isso, podem aparecer surpresas: desleixo no cuidado com a casa, tendência à depressão, problemas sexuais.

Ao contrário de tudo isso, os companheiros em um casamento arranjado não baseiam o relacionamento na atração mútua. Ao ser informada da decisão dos pais, a pessoa aceita que viverá muitos anos com alguém a quem mal conhece. Assim, a questão deixa de ser "Com quem me devo casar?" e passa para "Que tipo de casamento eu e este meu companheiro construiremos?"

Não estou sugerindo que o modo arranjado seja o correto ou errado, mas acredito mesmo que a idéia de romance ocidental é muito fraca para constituir estabilidade familiar. Pensando nisso, comecei a ver como o “ espírito dos casamentos arranjados” poderia transformar outras atitudes em nossas vidas., inclusive na forma como as pessoas se relacionam com Deus ( ou para quem não é cristão, com seu deus ).

Algumas pessoas aproximam–se da fé basicamente como uma solução para seus problemas, e escolhem Deus assim como escolhem o cônjuge, procurando as qualidades agradáveis. Sua expectativa é a de que Deus sempre lhes trará dias bons. Dão o dízimo porque receberão de volta dez vezes mais. Tentam levar uma vida reta porque acreditam que Ele lhes dará prosperidade. Interpretam a frase "Jesus é a resposta" em seu sentido mais literal e inclusivo: a resposta para o desemprego, um filho com problemas mentais, um casamento em ruínas, uma perna amputada, um rosto feio etc. Contam como certo que Deus interferirá em seu favor; providenciando um emprego; curando o filho, a perna e o rosto feio e colando de volta os pedaços do casamento partido.Somos como artistas que receberam a incumbência de construir nossa vida, a partir de uma massa sem forma de matéria–prima. Uns são feios, outros bonitos. Há os brilhantes, os profundos, os charmosos e os envergonhados. Deus não promete resolver todos os nossos "problemas", pelo menos não como gostaríamos de que fossem solucionados. Pelo contrário: chama–nos para confiar nEle, e para permanecer fieis, quer sejamos brasileiros ricos ou sudaneses aprisionados. Sobre este aspecto, precisamos do "espírito dos casamentos arranjados" em nosso relacionamento com Deus. Ele me criou como sou: com meus traços fisionômicos particulares, minhas dificuldades e limitações, meu corpo, minha capacidade mental. Posso passar toda a vida ressentido com uma característica ou outra, e pedindo a Deus que mude minha "matéria–prima". Ou posso aceitar–me como sou, humildemente, com as falhas e tudo mais, como a matéria–prima com a qual Deus pode trabalhar.

Não faço uma lista de exigências que precisam ser atendidas para que eu aceite firmar um compromisso. Como a mulher de um casamento arranjado, comprometo–me, apesar do que acontecerá no futuro, sem ter certeza do que está por vir. E felizmente o casamento arranjado funciona nos dois sentidos : o marido também firma compromisso, assim como Deus que me aceita não com base em meu desempenho, mas porque Ele tem um compromisso comigo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Em resposta...

Escrevi esse post em resposta à um e-mail que recebi , acusando Dilma e Lula de serem culpados pela morte de um policial no dia de 26 de junho de 1968. Um e-mail fajuto, com um texto tosco e mal feito.
E o que mais me impressiona é ter gente que ainda encaminha certas coisas pra gente.
Enfim, ai está.


No dia 26 de Junho de 1968, aconteceu a passeata dos 100 mil e não um atentado vil e terrorista como sugere o e-mail me enviado em questão.
O mais importante protesto com a ditadura militar ocorrida até então. Dela participaram grande número de estudantes, intelectuais, padres e grande números de mães. Dezenas de pessoas que são grandes nomes da nossa sociedade hoje, jogaram " bombas " naquele período.
Desde 67, o movimento estudantil tornou-se a principal forma de oposição ao regime militar. Nos primeiros meses de 68, várias manifestações tinham sido reprimidas com violência. O movimento estudantil manifestava-se não apenas contra a ditadura, mas também à política educacional do governo, que revelava uma tendência à privatização. A política de privatização tinha dois sentidos: era o estabelecimento do ensino pago (principalmente no nível superior) e outro, o direcionamento da formação educacional dos jovens para o atendimento das necessidades econômicas das empresas capitalistas (mão de obra especializada). Essas expectativas correspondiam a forte influência norte-americana exercida através de técnicos da USAID que atuavam junto ao MEC por solicitação do governo brasileiro, gerando uma série de acordos que deveriam orientar a política educacional brasileira. As manifestações estudantis foram os mais expressivos meios de denúncia e reação contra a subordinação brasileira aos objetivos e diretrizes do capitalismo norte-americano.
Prisões e arbitrariedade eram as marcas da ação do governo em relação aos protestos dos estudantes, e essa repressão atingiu seu apogeu no final de março com a invasão do restaurante universitário "calabouço", onde foi morto Edson Luís, de 17 anos. Desse fato alguém se lembra?!
PArece que não. E sinceramente - entendam que não defendo a Dilma ou Lula - duvido muito que o autor desse texto fajuto tenha o ônus da prova contra os que " jogaram bomba " em quer que seja.
Cuidemos para não cair na pseudo-intelectualidade. Intelectual mesmo é aquele que conhece a fonte. E sabe da sua veracidade.

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